segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Tre Bicchieri

Depois de uns tempos de realinhamento da vida (sim... eu precisei parar com alguma coisa...) sinto-me preparado para retomar os posts do Põe Manteiga.

E se vocês me perguntarem como foi a vida gastronômica nos últimos três meses eu diria que nenhuma experiência valeu um post exclusivo!

Eu tenho vários mini-posts...

Hoje começo com os raviolines recheado de pecorino com molho aveludado de trufas do Tre Bicchieri. Bom restaurante. Tem uma cara de Gero (aliás, os “caras” que comandam o lugar nasceram todos no celeiro Fasano, eram todos do Gero) e preço de Le Vin. O serviço é muito competente, o ambiente agradável, a decoração OK (com notável exceção ao suporte colocado, no fundo do restaurante, para três taças (“Tre Bicchieri”)... Cafona.) e a comida... Bem, a comida ainda precisa de ajustes. As porções são muito irregulares, e alguns pratos são muito mal servidos. A execução dos pratos também está irreguler. Estive no lugar três vezes.

Comi bem, não nego, mas nem todos os pratos estavam bons. A polenta por exemplo. Eu pedi uma polenta com ragu de entrada que estava muito boa em uma das visitas e outra que acompanhou um cordeiro na outra visita. Essa estava ruim, temperada com sálvia... não funcionou. Antes que alguém pergunte: sim, eu adoro sálvia...

O destaque ficou por conta de um incrível primeiro prato: raviolines recheado de pecorino com molho aveludado de trufas. O ponto da massa estava super correto, o recheio consistente e delicado. O molho era um capítulo a parte... Perfumado, de sabor intenso, mas não enjoativo. Perfeito.

É isso! O restaurante promete. Basta não ficar afetado com o sucesso instantâneo e entender que o que faz um grande restaurante é a regularidade aliada ao cuidado e à competência gastronômica.
P~M



quarta-feira, 9 de junho de 2010

Post Diferente

Post diferente! Sobre assunto diverso ao tratado normalmente por aqui!!!

Trata-se de um relato de superação! Sim! Meu querido amigo/irmão Alvaro passou por uma barra há pouco mais de um ano! Ele naturalmente venceu esse problema... Ele é uma pessoa determinada, do bem e muito disciplinada!

As palavras dele explicam tudo! Minha admiração e amor pelo meu querido amigo, que conheço há mais de 25 anos, me levam a postar esse texto! Espero que vocês gostem!

É isso!
P~M


"Relato de uma Maratona
Por Alvaro Reis


Primeiro, uma explicação: maratona não é qualquer corrida, tem uma distância padrão: 42,195 km. Para os que têm menos intimidade com a matemática, esclareço: quarenta e dois quilômetros, cento e noventa e cinco metros!

O esperado frio não apareceu. A chuva constante ao longo da semana passou e o dia amanheceu apenas nublado, com o sol saindo aos poucos. Temperatura agradável na largada, em torno de 17 ºC.

Exatamente doze meses e doze dias antes, eu iniciava tratamento de quimioterapia. Agora estava alinhado para largada em uma maratona. E preparado para cumprir a missão! Em julho do ano passado, ainda finalizando meu tratamento, corri 2 km em gloriosos 15 minutos, o necessário para justificar o verbo. Agora tinha pela frente 40 km adicionais!

O desafio não começa no dia da corrida, mas certamente muito antes. No meu caso, em dezembro. Informei ao pessoal do treino o meu interesse e tudo mudou. Os treinos de fim de semana gradativamente passaram a justificar o nome de "longões". Alguns superaram os 30 km e as 3 horas. Sim, sem dúvida é um desafio. Mas sem diversão, ninguém acorda às 6 da manhã do domingo pra fugir da cama e escapar - ao menos por um breve tempo - do forte sol desse verão prolongado do Rio de 2010! Não pode ser apenas a obrigação. Tem que ter prazer a cada passo. Ou pelo menos, na maioria deles... Caso contrário, é melhor ficar nos rápidos 5 ou 10 km.

Dizem que o "filme" da nossa vida pode passar num instante em algumas situações. Nas longas 4 horas utilizadas para correr os 42.195 metros da prova, tenho tempo para ver um longa metragem, com direito a melhores - e piores! - momentos, ver outros ângulos, câmera lenta ou rápida, a passar o tira-teima etc. Paradoxalmente, só penso no próximo passo e na chegada.

Às 7:15 é dada a largada da maratona masculina. Logo nos primeiros quilômetros, um cidadão ouve o apito do meu relógio e pergunta: “você ta marcando a velocidade?” Resmungo positivamente. Ótimo! O meu relógio ficou sem bateria. Vou correr ao seu lado a prova toda – ele retruca. “ah?! Tá maluco?!” Penso baixinho... O sujeito me acompanhou por uns 15 km, pedindo boletins constantes. Depois ficou mais lento, mais rápido e sumiu... Acabo conhecendo outro, que também correu Barcelona e São Paulo esse ano. Corria ali pra receber a camisa Marathon Maniacs – categoria bronze, por completar 3 provas em 90 dias.

A primeira metade da prova foi muito tranqüila. Algum incômodo na barriga, mas nada de especial. Sigo um ritmo confortável, de início 5:50 (min:seg por km). Depois um pouquinho menos. Passo pelos quilômetros confortavelmente, sem pressa. Sinto algum incômodo no 31º km e no 34º km, com leves e breves subidas. Estou ótimo! Forçando um pouco a partir do 38º km, faço a minha primeira maratona em menos de 4 horas! O cenário ao meu redor era devastador. Indo a 5:30 min/km - uma velocidade razoável – eu passava por vários corredores com facilidade. Muitos andavam, vários se alongavam ao lado, buscando mitigar as cãibras. Acelero com vontade. Completo o 38º km em respeitáveis 5:19 min/km, com sobras!

Nada com um passo após o outro, um metro após o outro... Subitamente tudo muda e fico em situação semelhante aos meus colegas. Cada metro passa a ser um desafio. Estava quebrado! Os 2,5 km restantes pareciam uma barreira. Apenas um erro em meses de preparação e estava destruído por completo! Aceito até o isotônico azul estilo Alice no País das Maravilhas. Qualquer coisa que me levasse pelos metros restantes. Pego dois copos de água e resolvo caminhar enquanto bebo, mais confortável. Estou às margens do Guaíba. Olho à direita e estou a uns 200 metros do “Gigante da Beira-Rio”. Maldito “Império do Colesterol” – apelido chileno da dupla Adriano-Vagner Love. Meu time deveria decidir uma vaga na final da Libertadores ali em breve! Os palavrões voltam à mente...

Depois e alguns passos lentos, encaixo um generoso ritmo de 6:20 min/km. “Força total no último quilômetro”! Esse é o plano. Acelero. Acho que algo perto de 5:30 min/km. O que seria muito confortável em situações normais, ali era degradante. Alguns olham a inscrição no peito e gritam meu nome. Nos últimos 300 metros, já com centenas de pessoas cercando a chegada, um cidadão olha no meu olho e grita: “Vai Alvaro, força! Falta pouco!” Diante de uma cena dessas, alguém com um mínimo de brio arruma alguma energia e se mata correndo. O relógio marca que fiz esse trecho final em respeitáveis 3:05 min/km. Digno de queniano! Tudo bem, eles correm a prova inteira nessa velocidade... Finalizo em 4h 8 min e 8 seg.

Os últimos quilômetros foram os mais difíceis que já corri e nesse tiro final, as pernas voaram. “No pain, no gain.” Sem dor, sem recompensa, numa tradução adaptada minha. Assim fica tudo mais interessante. Quando é a próxima corrida?"



segunda-feira, 31 de maio de 2010

Pizzaria (?) Camelo



Ontem fui com minha querida amiga Rê e os queridos Paolinha e Rafa na Camelo da Pamplona, em Sampa!

Muitas novidades por lá! Para começar, uma bela reforma que deixou tudo mais amplo e bonito. Ta... Pizzaria é pizzaria... Não esperem um super design arrojado! Mas tenham certeza que ficou beeem mais legal!

Mas esse post não pretende falar da obra! E sim de meus olhos abertos para uma esfera não conhecida (até ontem) por mim. Os pratos da Camelo.

O frango à passarinho já é conhecido. O melhor de São Paulo. Não há dúvidas. Crocante, sequinho, temperado na medida e cheio de carne... Delicioso. Mas ele sempre foi seguido de pizza na minha vida! E olha que eu freqüento a Camelo há anos!!!

Nunca havia arriscado nos pratos! Comer strogonoff em pizzaria... é furada, pensava eu com meus botões. Paguei a língua após o querido Rafa me abrir os olhos! E meus olhos ficaram esbugalhados quando o prato que ele pediu chegou à mesa.

Um belo bife à Parmegiana. Gigantesco, suculento, com a carne em ponto correto, molho de tomates frescos bem equilibrado, arroz soltinho e temperado, muito queijo de excelente qualidade e batatas fritas excelentes, crocantes por fora e macias por dentro, sem oleosidade excessiva e em quantidade muito generosa.

Provei também o Strogonoff que as meninas pediram. Delicioso. Não estava doce, estava equilibrado, com o filet mignon cortado na ponta da faca, super macio. E as batatas palhas caseiras. Feitas com corte super pequeno. Inacreditável.

Pois é, uma pizzaria excelente provou que é excelente também ao fazer aqueles pratos triviais que tanto amamos.

Pena que o preço está beeem salgado!

É isso! Muito bom o fim de domingo na Camelo.
P~M




Louise Bourgeois

O mundo vai dormir com menos talento e ternura hoje. Morreu a grande artista franco-americana Louise Bourgeois aos 98 anos em Nova York, onde vivia há décadas.

Muita gente associa o trabalho de Louise às famosas Aranhas que estão pelos museus do mundo e em especial à do MAM em São Paulo.

Mas Louise foi uma vanguardista, que era centrada em relações humanas e na ousada associação do corpo humano ao sexo e ao erotismo, o que fez dela uma das mulheres mais à frente de seus tempos. Tive a honra de ver uma de suas últimas exposições individuais, no Centre Georges Pompidou em Paris. Louise produziu arte até os seus últimos sopros de vida e o fez com maestria e ousadia, como sempre!

Louise Bourgeois
Paris 1911 - NY 2010
R.I.P.

...
P~M

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Ritz - Torta de frango turbinada

Bom, como já disse algumas vezes, eu tenho uma conexão cósmica com o restaurante Ritz em São Paulo. Especialmente o dos Jardins, que literalmente é uma "casinha" fora de casa!

Quando me mudei, um dos meus medos foi ter que morar num lugar onde o delivery do Ritz não chega! Infelizmente o Ritz não chega na Vila Mariana e, por isso, minha torta de frango vai sempre ter que ser comida in loco!

Hoje a minha amiga Vick sabia que eu precisava de uma torta de frango... Essa torta parece aquela que a sua avó faz (ou fazia) e tem um inacreditável poder curativo... Não há tristeza que não diminua depois da tortinha! E a surpresa foi que a tortinha cresceu e agora não é tão "inha" assim!

Esse tamanho novo realmente é o tamanho que a torta de frango do Ritz deve ter! Para você comer até ficar efetivamente ficar feliz! MUITO BOM!!!!

É isso! Muitas manteigas para o Ritz, sempre! E três manteigas para a torta de frango e seu novo tamanho!
P~M





quarta-feira, 19 de maio de 2010

Microondas + Frigobar

A questão é: como um gourmet meio “glutão” sobrevive praticamente um mês apenas com um forno de microondas e um frigobar?

Esses são os únicos eletrodomésticos que minha cozinha dispõe até o presente momento! Fato é que falta pouco para que eu volte a ser uma pessoa normal... Meu pai prometeu que sábado levará o fogão que ele e minha mãe me deram de presente. Dentro de uns 15 dias chega minha geladeira e em breve espero adquirir (ou ganhar de presente) um forno elétrico! Isso tudo, somado aos meus diversos utensílios de cozinha, amealhados ao longo dos tempos ou roubados do “acervo pessoal” da minha querida amiga Rê, irá me devolver a minha vida culinária!

Bom, isso justifica a amornada que esse blog teve nos últimos tempos, já que eu não tenho me aventurado muito nos restaurantes da vida (por motivos de óbvia “falência pós mudança”) e não tenho também cozinhado!

Pois agora vou dizer como sobrevivi!!! Bom, eu, via de regra, almoço fora todos os dias, por conta do trabalho. Os jantares estavam sendo um problema. No começo, apelei para o delivery. Mas infelizmente as opções são um pouco restritas no meu novo bairro... o que é um absurdo, pois é uma região super central da cidade, que deveria ser mais bem servida. Trocando em miúdos: pizza. Pizza um dia, pizza outro dia, pizza com amigos, pizza, pizza. Naturalmente, não posso mais ver pizza! Por melhor que seja a pizza da Esperança (a melhor pizza de delivery de São Paulo, na minha opinião), nenhum ser humano pode sobreviver de pizza.

A situação “pizzistica” crítica narrada me levou a colocar minha criatividade em prática. Um dia aprendi que é viável fazer um jantarzinho básico com o forno de microondas. Naturalmente não cozinhei, mas comprei (com a Isinha, minha querida prima) duas tortas bem legais: uma de frango e uma de palmito. Aquecemos no forno de microondas e comemos com arroz de açafrão (comprado pronto no pão de açúcar... muito bom, by the way) e salada de rúcula. Comemos também brócolis, quentinho! Ouvindo jazz, papeando e apreciando a cidade!

Sobrou uma torta, que foi devidamente acomodada no “mini freezer” do frigobar incrível que os queridos Ma e Bebel me emprestaram.

Nessa semana vou fazer uma noite do cachorro-quente! E vai ser completo! Farei um molho de tomates, purê de batatas... Tudo no micro... Vamos ver se vai dar certo! Outro prato que pretendo fazer é um macarrão com almôndegas, mas não sei se vai dar muito certo cozinhar as almôndegas no micro.

Nada como esses momentos para nos testarmos em vários aspectos. E para percebermos que podemos ser felizes sempre! Acreditem: sem fogão e sem restaurantes eu ando feliz como nunca (mas claro que em breve a vida volta ao suuuuper normal... e essa perspectiva me anima mais ainda.... hehehehe).

É isso!
P~M

terça-feira, 4 de maio de 2010

Mudando

Mudar dá muito trabalho!!!!!!!! Trust me!!!!!!!!!
Dá trabalho físico, emocional e gastos.... Muitos gastos.... Nem preciso dizer que meus fluxos de idas a restaurantes estão significantemente comprometidos por uns dois meses, né????
Bom, assim que eu tiver um fogão (o que deve acontecer em uns 15 dias) vou postar sobre o primeiro jantar na minha casa nova! Que, by the way, é linda!!!! Tem uma vista absurda e, graças a ajuda de pessoas muito queridas, tem até móveis e está sendo montada e organizada!!!!
Está sendo muito legal. Eu estou cansado e meio pobre, mas estou SUUUUPER feliz!!! hahahaha
Juro que em breve voltarei com mais posts!
É isso!
P~M